Madre de Deus: “Não vou vender minha alma ao diabo”, diz Marden Lessa em entrevista exclusiva

Após três meses à frente da Secretaria Municipal da Cultura e Turismo de Madre de Deus, Marden Lessa, em entrevista ao site Diário da Metropolitana, fez um balanço das suas ações à frente da pasta, falou sobre pré – candidatura a Prefeito e sobre o cenário político municipal, estadual e nacional. Sem temer questionamentos, o vereador licenciado falou que não pretende “vender a alma ao diabo” ou entregar a cidade para empresários na intenção de sagrar-se prefeito de Madre de Deus. Confira..

DM: Você tem quatro meses que se licenciou das atividades da Câmara de Vereadores, onde era muito atuante. Sente saudade da Casa?
Marden Lessa – Claro que sim. Fui muito feliz no Legislativo. Foi lá que tudo começou e nos credenciou a está onde estamos hoje, ou seja, no Poder Executivo.

DM: Já é notório que houve uma mudança na Cultura de Madre de Deus, após a sua chegada. Quais políticas públicas que foram implementadas e quais são as metas para os próximos meses?
Marden Lessa – Implantamos uma política voltada a identidade cultural do madredeusenses. Sempre soubemos e afirmamos em nossos discursos que valorizar nossas raízes irá garantir nossa história, consequentemente a nossa cultura também.

DM: Nos bastidores da politica, corre a informação de que além do apoio da deputada federal Alice Portugal (PCdoB), o então deputado Estadual Niltinho (PP), está entre os líderes políticos que simpatizam com a sua pré-candidatura à Prefeitura de Madre de Deus. Como andam as articulações nesse sentido?
Marden Lessa – Como você disse Alice Portugal, por ser de nosso partido, fica mais à vontade para expor esse apoio nesse momento. Já o deputado Niltinho, nós temos conversado, mas só que é mais complicado a declaração dessa simpatia da parte dele, para não causar ciúmes nos demais pré- candidatos. Mas nós entendemos, apesar de termos sido o segundo maior cabo eleitoral do deputado, uma vez que ficamos atrás apenas do prefeito Jeferson nos votos. Contudo, estamos tranquilos. Acima de qualquer coisa, precisamos mesmo é da simpatia do povo e de Deus.

DM: Quais qualidades você acha que um político deve ter para governar Madre de Deus?
Marden Lessa – Gostar de gente e, acima de tudo, ser bem aceito pelo povo. Isso é que eu acho necessário, o resto Deus conduz.

DM: No início do ano você participou de encontros com a cúpula do PT, justamente para articular a sua pré-candidatura à Prefeito. Houve algum avanço, existe a possibilidade da sua candidatura ganhar o apoio do governador Rui Costa?
Marden Lessa – Tivemos sim uma conversa com a cúpula do PT, mas foi para falar de uma possível migração. Falamos também da sucessão, mas de forma subjetiva. O governador Rui Costa é um progressista e nós sabemos que hoje dentro do PT municipal não tem um nome ainda para o pleito do ano que vem na majoritária. Nós somos de um partido co-irmão do PT, portanto, não vejo dificuldades desse apoio ao nosso nome, uma vez que desde de 2002 nós estamos votando e apoiando o PT, seja em qual esfera for. Estávamos e estamos com eles. Agora acho que a recíproca pode ser verdadeira.

DM: Falando em Rui Costa, ele está entre os nomes cogitados para concorrer à Presidência da República em 2022, você acha que ele é o melhor nome da oposição no momento?
Marden Lessa – Acho o nome do governador um bom nome para 2022. Mas tenho a certeza que precisamos montar uma frente popular de esquerda para poder recuperar o país e todo esse desmonte da máquina pública que vem acontecendo com esse desgoverno. Então, é um governador bem avaliado, assim como Flávio Dino, de meu partido. Assim também como Ciro Gomes, do PDT, e o próprio Haddad e demais líderes da esquerda nacional.

DM: Você sempre se posicionou contra as ideias extremistas do atual presidente da República, Jair Bolsonaro. Ele já vai completar quase um ano de governo. Como você avalia a gestão dele até agora?
Marden Lessa – Não podemos chamar isso de gestão. É uma bagunça! Só sai algo noticiado na imprensa quando a família Bolsanaro fala uma besteira, uma ofensa a alguém ou até mesmo a algum país, como tivemos o caso da França que o nosso presidente ataca a primeira dama daquele país. Somos vergonha internacional, mas nas eleições eu disse que esse moço não gostava de gente. Ele, diferente dos demais candidatos, à época, não foi em um debate no segundo turno, porque não tinha o que apresentar. Já sobre o balanço, deixo por conta daqueles que votaram e apoiaram. Veja se o país melhorou. Eu não torço contra, mas faço oposição e farei questão de dizer que eu estive do lado certo da história.

DM: A população anda ansiosa para saber quem será o candidato do prefeito Jeferson Andrade para sucessão municipal. Inclusive o seu nome é o que aparece como o mais bem avaliado dentro do grupo. Você se considera o candidato do governo?
Marden Lessa – Não, nada foi decido. Estamos em pré-campanha e respeitamos os demais pré- candidatos. Apesar das pesquisas internas nos colocar na melhor condição, respeitamos o processo e caminhamos. Como digo sempre, quero ser mesmo o candidato de Deus. Ele conduz tudo!

DM- Pelo governo, outros nomes como o da ex-prefeita e atual secretária de Educação Eranita de Brito também desponta como pré – candidata à prefeitura. Você acredita que pelo fato já ter chefiado o Poder Executivo ela tenha a preferência na disputa interna do governo?
Marden Lessa – Eu acredito que na escolha do nome dela ou de qualquer outro, através de uma decisão coletiva, e que essa decisão seja a melhor dentro do grupo. Agora o fato de já ter tido uma experiência, conta muito sim. Inclusive, diante de vários pontos de vista. Eu prego o respeito e diálogo nessa pré-campanha.

DM- Sobre Anselmo, vereador e também pré-candidato a prefeito. É um político que tem bom trânsito na Câmara e um eleitorado fiel nos Distrito de Maria Guarda. Também é um quadro bastante competitivo, não acha? Qual é a sua avaliação?
Marden Lessa – Anselmo é um amigo de longas datas. Um político que tem história em nossa cidade e precisa ser respeitado. Ter 8 mandatos não é para qualquer um, é para quem tem capacidade de articular e trabalhar muito em prol da comunidade para poder permanecer.

DM- O secretário de Esporte Jibson Coutinho é outro nome que soa como pré-candidato a Prefeitura. É um quadro que tem capital político e um poder de articulação muito forte. Qual o seu ponto de vista sobre a pré-candidatura dele?
Marden Lessa – Jibson é um outro político que precisa ser respeitado, por sua história, pelo seu capital político e de sua família. É importante frisar o belíssimo trabalho que desenvolve a frente da Secretaria de Esportes, o que já o credencia naturalmente no processo. Foi vereador de 5 de mandatos, presidente da Câmara, além de ter conseguido transferir os votos e eleger uma vereadora junto com o seu grupo. Então, não podemos negar que ele é um quadro de utilidade pública em nosso grupo.

DM- O advogado e secretário de Meio Ambiente Luiz Montal também já declarou que está no páreo, mas não há um clamor popular. É uma candidatura que não incomoda internamente?
Marden Lessa – Montal é um amigo, pessoa boa, sabe trabalhar em sua área. Escolheu Madre de Deus para construir sua família, tem boa relação com os madredeusenses. É natural que ele se coloque à disposição. Já foi secretário de Governo e goza de boa relação com o Poder Legislativo, então isso o credencia. A mim, nenhuma candidatura incomoda. Com respeito a todos, eu só quero mesmo colocar meu trabalho e ser avaliado pela população.

DM- Ainda pelo governo, o empresário Noronha, com o apoio do senador Otto Alencar, já se declarou pré-candidato a prefeito de Madre de Deus. De que forma essa articulação interfere no processo de decisão local? Você acha que essa candidatura do empresário é pra valer ou é algum tipo de “pressão” externa para uma possível composição?
Marden Lessa – Noronha é uma pessoa que gosto. Apesar de não ter uma vida pública atuante e de história na cidade, pois é empresário. Eu vejo com naturalidade a pré-candidatura dele. Não podemos querer só que as pessoas nos apoiem ou votem em nós. Se elas entendem que chegou o momento delas é preciso respeitar, e acho que foi isso que aconteceu. Chegou o momento e ele colocou a pré-candidatura. Acredito que tudo tem sua hora e seu momento. Então eu respeito e estou tranquilo sobre tudo isso que está sendo colocado dentro do grupo. Nós temos um líder e é ele quem precisa estar atento aos passos que damos. Tenho certeza de que ele está.

DM- Falando em composição, como andam as conversas com esses pré-candidatos de dentro do governo, uma vez que você aparece como o nome de maior expressão no momento?
Marden Lessa – Amigo eu tenho buscado apoios e tentando conversar com as bases internas, embora alguns não compreendam a real necessidade disso, pois é a vida de nosso povo que está em jogo.
Tenho mantido conversas com alguns vereadores. Temos um apoio do Pastor Melk e algumas lideranças internas que são pré-candidatos a vereadores, a exemplo do ex-vereador e ex-candidato a prefeito Adailton do Suape. Só que nós percebemos e entendemos o jogo, portanto, estamos jogando, mas com os pés o chão e com muita honestidade.
Não vou “vender a alma ao diabo” e tampouco entregar a minha cidade a grandes empresários para ser prefeito. Portanto, quem quiser vir para esse projeto, é preciso entender que quem rege esse projeto primeiro é Deus e segundo o povo dele, que é o povo de Madre de Deus. Sem o apoio desse povo, serei, com certeza, candidato a reeleição de vereador. Aprendi que devemos dar um passo de cada vez, tudo é na vontade e no tempo de Deus. Sobre ser o nome de maior expressão, acredito que é fruto do trabalho, por isso, pontuamos melhor nas pesquisas internas.

DM- Enquanto o governo não decide quem será o candidato, a oposição se movimenta com os pré-candidatos Dailton Filho e Jailton Polícia. Isso não te preocupa?
Marden Lessa – O que me preocupa é não termos um nome logo constituído com o único pré- candidato do grupo. Acho que enquanto isso não acontece, nossos adversários políticos deitam e rolam, mas isso é uma decisão a ser tomada por aqueles que lideram o processo. Só não podemos perder o time, pois o tempo é o senhor de nossos destinos.

DM- Do lado da oposição, Dailton Filho é o pré-candidato com maior expressão, por estar a praticamente três eleições tentando ser prefeito. Você não acha que ele já chegará no processo eleitoral 2020 como favorito?
Marden Lessa – Historicamente em Madre de Deus a oposição sempre teve entre 30 e 35% dos votos, inclusive, se contarmos os votos da última eleição para prefeito veremos isso. Então, eu não acredito em favoritismo de ninguém. Acredito em trabalho. Em 2008, vi a maior liderança política dessa cidade perder a eleição por 300 votos. Em um ano antes, nosso grupo tinha mais de 60 por cento e 17 pontos de vantagem, perdemos a eleição por já contarmos vitória antes.
Não atraímos a humildade para perto de nós, e caímos feio em 2008. Portanto, essa de favorito eu não acredito. Se eles lá acham isso, eu respeito. Inclusive, ouvi uma fala na festa do Suape desse ano, mais ou menos assim, onde me disseram sobre as pesquisas internas que indicavam a vitória da oposição. Quero dizer que pesquisa serve apenas para nortear e buscar apoio financeiro dos grandes empresários, somente para isso, mais nada.

DM- Quando vereador e presidente da Câmara, você promoveu um encontro com Dailton Filho na Casa Legislativa, ou seja, mesmo sabendo que ele atua na oposição, você buscou uma aproximação. Depois daquele momento, as conversas continuam? Como anda o seu relacionamento com ele?
Marden Lessa – Eu converso com todos. Agora converso aberto, sem ser escondido. Até porque sou transparente. Sempre tive uma boa relação com ele. Não é porque ele é oposição que seremos inimigos, apesar de que tivemos uma discussão na festa do Suape. De lá para cá, não nos encontramos mais.
Acredito que faz parte da política essas discussões e embates, mas no fundo todos têm uma visão e na, verdade, quer que ela seja compreendida. Eu sempre digo que na política não precisamos ser amigos, basta a gente nos relacionar e a coisa anda. Então, sempre vou estar aberto ao diálogo. Seja com quem for, estarei construindo pontes com todas as bases.

DM- O vice-prefeito Jailton Polícia também é um quadro político que já vem se articulando para assumir a chefia do Poder Executivo de Madre de Deus há algum tempo. É uma candidatura bastante competitiva, não acha?
Marden Lessa – Claro! Jailton tem seus méritos e seu trabalho colocado na cidade. Quem irá dizer sobre isso e confirmar é o povo, caso levemos isso até as urnas.

DM- No início do semestre desse ano o prefeito Jeferson Andrade publicou uma foto ao lado da ex-vereadora Rose Queiroz, dando a entender que ela estava sendo “abraçada” pelo governo de alguma forma. É importante lembrar que Rose Queiroz foi candidata a vice-prefeita na chapa de Dailton Filho nas últimas eleições municipais. Você acredita que essa aproximação tem a ver com as articulações para a composição da chapa majoritária em 2020?
Marden Lessa – Rose Queiroz é uma amiga de longas datas. Eu acompanhei o processo todinho. Na época que Rose foi para o outro lado, na verdade, quem foi ali, foi o partido e levou ela junto com os demais, os que queriam e os que não queriam também, inclusive Rose era nossa vice.
Uma reunião que participei, o nome dela tinha sido escolhido e batido o martelo. Mas depois mudou, por conta de que o atual vice-prefeito não aceitou coligar na proporcional com o PPS. Então foi isso.
Mas Rose veio para nosso lado construir a política dela, fazer o que ela sempre fez e tentar voltar do lugar onde nunca deveria ter saído, pois era uma excelente parlamentar. E se vier a compor uma chapa majoritária, ela também tem meu respeito. Política com ficha limpa e de moral na cidade.


DM – Sabemos que quando não há consenso em um grupo, a tendência é um racha. Existe a possibilidade de haver alguma aproximação com os pré-candidatos da oposição, até mesmo para compor como vice-prefeito, caso isso aconteça?
Marden Lessa – A gente não pode dizer nunca que dessa água não beberei. Então, eu sou soldado de partido e, principalmente, um soldado do povo. Quem irá dizer qual será o caminho a ser tomado por nós são eles, lá na frente. Mas quero deixar claro que sou fiel e leal sempre onde estou. Busco isso também das pessoas para comigo. Acho que esse é um ambiente sadio para se viver e evitar os rachas da vida.

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